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sábado, novembro 23, 2002
09:50 -
PARADOXO DA INSENSIBILIDADE
(22/11/2002)
Aceito imperfeições da existência
Em processo evolutivo do meu ego
Pois sem admitir eu não nego
Tal absurdo da auto-clemência
Naturalmente ignoro o momento
Desejando fugir do temor obscuro
Que me desperta um lamento futuro
Se no presente houver sentimento
Mas sangue não flui como a água
Sem coração, sem fluxo, coagula
Restando nódoas escuras de mágoa
E a lembrança não escorre pelos dedos
Mantém-se, aumenta, se perpetua
Gerando de minha fuga novos medos
09:49 -
AO FINAL...
(13/11/2002)
No início um pré-evento
Da primeira respiração
Depois vem do sofrimento
Ou clamor por atenção
Instintivo como dormir
E mais simples que sorrir
Devo negar o que sinto
Em análise e terapia
Pois o outrora instinto
Passa a ser anomalia
E a dor só se estreita
Com um prozac sem receita
Contra minha dor física
Pílulas e masculinidade
E a respeito da psíquica
Exclamam "imaturidade"
E sob anos não irá restar
Desculpas para chorar
09:48 -
AMBIGÜIDADE
(29/10/2002)
Nascido o Sol o efeito é exótico
Pois se tropical não há sobretudo
Mas o brilho com o qual me iludo
Nascendo poeta e afastando o gótico
Reconheço que a lua nova me afeta
Embora como poser aprecie escuridão
Sem possuir um clichê de inspiração
Retorna o gótico e morre o poeta
Vejo meu talento perder as cores
Encolhendo-se da virtual imensidão
Simulada pelo apreço de amadores
E a pena outrora tão especial
Afasta-se de minha pretensão
Tornando-se mísera bic cristal
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